#MemóriaAdvocef: O que discutíamos há 31 anos diz muito sobre o futuro da nossa carreira

Honorários, independência técnica, terceirização e valorização profissional. Parece uma pauta atual? Pois esses temas já mobilizavam os advogados da CAIXA em 1995. E revisitar essa história nos convida a uma reflexão importante sobre os desafios de hoje.

Você já parou para pensar no que os colegas discutiam sobre a nossa carreira há mais de três décadas?

Entre os dias 19 e 23 de abril de 1995, advogados da CAIXA de todo o país se reuniram em Brasília para o I Congresso Nacional dos Advogados da CEF.

Ao revisitar as deliberações daquele encontro, uma constatação chama a atenção: muitas das preocupações que hoje fazem parte das nossas conversas já estavam presentes naquele momento.

Honorários advocatícios, independência técnica, estrutura do Jurídico, condições de trabalho, terceirização e valorização da carreira estavam entre os temas debatidos.

Foi naquele Congresso, inclusive, que se aprovou o Regulamento dos Honorários dos Advogados da CEF, um marco na organização e na defesa coletiva de um direito que permanece no centro de importantes discussões da categoria.

Os colegas também reafirmaram a importância da independência técnica, da observância da legalidade e da ética profissional, reconhecendo o papel da advocacia na preservação dos interesses institucionais da CAIXA.

E há outro ponto que merece atenção: já naquela época, a terceirização dos serviços jurídicos e a estruturação da carreira eram objeto de preocupação.

Trinta e um anos depois, o cenário é outro. Mas será que os desafios são tão diferentes assim?

Hoje, a transformação digital, a inteligência artificial, os novos modelos de contratação e as mudanças na dinâmica dos negócios trazem novas perspectivas para o exercício da advocacia.

São mudanças que não podemos ignorar. E que nos convidam a refletir não apenas sobre os direitos que conquistamos, mas também sobre o espaço que ocupamos e queremos continuar ocupando na empresa.

Afinal, qual é o valor da advocacia de carreira para a CAIXA? E, tão importante quanto isso, estamos conseguindo demonstrá-lo?

Nossa atuação vai muito além da condução de processos ou da recuperação de créditos. Está também no litígio que não aconteceu, no risco que foi mitigado, no prejuízo que conseguimos evitar e na segurança jurídica que permite à empresa tomar decisões e realizar negócios.

São entregas que nem sempre aparecem nos indicadores tradicionais, mas que fazem diferença para a sustentabilidade e os resultados da CAIXA.

Por isso, precisamos estar cada vez mais próximos das áreas negociais, participar das discussões desde o início, ocupar espaços estratégicos e aprimorar a forma como registramos e comunicamos nossas contribuições.

Porque o espaço que não ocupamos hoje pode não estar disponível amanhã…

Essa reflexão ganha relevância diante da ampliação da terceirização, da incorporação de novas tecnologias e das transformações na organização do trabalho. Não significa que esses movimentos representem, necessariamente, uma ameaça à carreira. Mas exigem que estejamos atentos e preparados para participar das mudanças, em vez de apenas acompanhá-las.

Afinal, o conhecimento institucional acumulado, a compreensão das particularidades da CAIXA e a capacidade de oferecer soluções jurídicas alinhadas à sua missão são diferenciais que precisamos preservar e fortalecer.

E aqui cabe uma reflexão que diz respeito a todos nós:

A defesa da carreira não se faz apenas nas instâncias institucionais. Ela também se fortalece na atuação cotidiana de cada colega!

Isso não significa transferir aos advogados a responsabilidade por decisões estruturais da empresa, tampouco condicionar nossos direitos à produtividade ou à demonstração de resultados.

Significa reconhecer que a valorização profissional também passa pela forma como participamos das decisões, construímos soluções, compartilhamos conhecimento e tornamos visível a importância do nosso trabalho.

A ADVOCEF seguirá firme na defesa dos honorários, das prerrogativas e dos direitos da categoria. Mas essa atuação ganha ainda mais força quando acompanhada da consciência coletiva sobre o papel estratégico que desempenhamos na empresa.

Defender o que conquistamos e demonstrar o valor do que fazemos não são caminhos opostos. São esforços que se complementam.

E talvez essa seja uma das principais lições que podemos extrair daquele Congresso de 1995.

Os colegas que nos antecederam compreenderam a importância de se organizar, de defender direitos e de construir uma advocacia forte e respeitada.

Cabe a nós dar continuidade a essa trajetória, atentos às transformações do presente e conscientes da responsabilidade que temos com o futuro.

Vamos juntos?